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Tolerância ZERO na Câmara de Vereadores

Tolerância ZERO na Câmara de Vereadores

Por: Claudio Augusto

A primeira sessão da Câmara de Vereadores em 2018 não marcou apenas o retorno às atividades dos vereadores de Corupá. A sessão que se anunciava ser histórica pela posse do suplente José Carlos Linzmeyer (PP), que substituiu a licenciada Andressa Fischer(PP), e que teria a pré-acordada renúncia de Alceu Moretti(MDB) como presidente da casa e assunção de Wilson Jean Gessner (MDB) como seu substituto, surpreendeu ao bom público que prestigiou o evento com o que deve ser a tônica neste ano, uma oposição firme, forte e coesa, com os vereadores da situação apáticos diante da contundência dos discursos, restringindo-se a, em muitos momentos, balançar a cabeça concordando com o que era argumentado, ou ficando calado, como o líder de governo Sidnei Schwerdtner (PP).

O Grande Expediente, da oposição

Na abertura do Grande Expediente, onde os vereadores fazem uso da Tribuna para seus pronunciamentos, a vereadora Inês Tamanini (MDB) foi a primeira a se manifestar e já dava sinais do que viria pela frente quando pediu ao secretário de desenvolvimento, Cristiano Hack, que olhasse pela agricultura, setor que conta com mais de 700 famílias de produtores, envolvendo mais de 3.500 pessoas. Em seguida foi a vez do vereador Felipe Rodrigues(PSDB), após elogiar o evento promovido pela Associação de Moradores Qüentin no dia 28 de janeiro, pediu ajuda aos vereadores da situação para combater o abuso em nomeações promovido pela atual administração municipal que, apesar de haver prometido reduzir em 40% os cargos existentes quando de suas campanha e posse, agiu diferente e criou mais 17 cargos comissionados, onerando os cofres públicos em aproximadamente um milhão e duzentos mil reais/ano; além dos servidores que recebem Função Gratificada, aumentando o déficit.

Uma das preocupações é quanto a proximidade do mês em que deve ocorrer o reajuste dos servidores municipais pois, a folha atual corresponde a 50,74% dos gastos e o Limite Prudencial de Despesa com Pessoal nos Municípios é de 51,3%.

Dando sequência aos pronunciamentos cobrando ações do executivo, o presidente da Câmara, Alceu Moretti, foi enfático em afirmar que Corupá não recebeu qualquer recurso conseguido pelos representantes do partido do Executivo. Alceu alertou que neste ano nossos munícipes devem receber visita destes políticos pedindo votos, e que é importante não esquecermos de quais realmente fizeram algo pela nossa cidade. Finalizou sua fala com a triste notícia de que Corupá foi o município de nossa região que menos cresceu, fato que permite supor e temer que muito em breve seremos apenas uma cidade dormitório.

Vereador Alaor Duarte, “mentira tem a perna curta”

O pronunciamento mais duro foi proferido pelo vereador Alaor Duarte (PSDB) que iniciou sua fala cumprimentando os secretários municipais presentes e rogando que caso sejam exonerados, que o executivo tenha hombridade suficiente para não o fazer pelo jornal.

Na sequência Alaor fez uma análise sobre o papel dos vereadores que ouvem a população e transformam estes pedidos em indicações. Dirigindo-se ao vereador Beto Maia que havia acabado de fazer diversas indicações, Alaor fez uma comparação dos vereadores com papagaios, quando repetem as indicações e sequer resposta do executivo recebem. Conforme o vereador, em 2017 foram apresentadas 172 indicações, nenhuma delas foi respondida e estima que menos de 40 foram atendidas. Alaor enfatizou que sem estas respostas, sejam positivas ou negativas, não há como informar ao contribuinte que fez a solicitação.

O vereador lembrou, também, dos 20% de aumento prometido em campanha e que acabou sendo dividido em quatro aumentos de 5% cada um. Segundo o cálculo de Alaor, se a máquina administrativa continuar a inchar não haverá como cumprir esta promessa. Outra contradição da administração apontada por Alaor é sobre a exoneração de servidores da oposição sob a alegação de não possuírem condições para desempenharem suas funções, e hoje estão sendo reconduzidos numa tentativa de arrumar o caos instalado.

Arno Neuber, um oásis no meio da incompetência instalada

Uma unanimidade que chamou a atenção foi o respeito e a isenção de culpa conferidos ao vice-prefeito Arno Neuber. Em todos os depoimentos ele teve enaltecidas a sua postura, honestidade, honradez, e o vereador Alaor chegou a afirmar que “se o Sr. Arno tivesse a caneta na mão, nada disso estaria acontecendo”. E prosseguiu afirmando “se as eleições fossem hoje, mais de 50% das pessoas de bem do PP não repetiriam o erro, pois eles foram iludidos”. Finalizando seu pronunciamento o vereador fez mais um pedido “que o prefeito pare de tentar nos culpar dizendo que nós o impedimos de administrar, o único projeto que votamos contra foi o do empréstimo de R$ 5 milhões que, aliás, ele deve nos agradecer todos os dias por impedi-lo de entrar nesta enrascada”.

Deixem o homem trabalhar …..

Uma das frases ouvidas no início da atual gestão foi “deixem o homem trabalha”, e hoje o que vemos é que apenas nós dos partidos da oposição, MDB e PSDB “deixamos o homem trabalhar” porque fomos os únicos a trazer recursos financeiros, além de equipamentos e veículos, e até este momento o PP ficou na promessa. Outro problema apresentado pelo vereador Felipe Rodrigues, num aparte concedido pelo vereador Alaor, foi quanto ao número absurdo de incorreções nos projetos enviados à Câmara pelo Executivo, “90% dos projetos enviados a esta Casa vieram com erros que exigiram uma demanda de tempo e de serviço para suprir esta deficiência da prefeitura”, e finalizou Felipe “teve projeto que a prefeitura errou, contratou assessorias que também erraram e com isso ficamos em dúvida se é azar para contratar ou se devemos usar outro nome”.

Vereador Alaor alerta, se a mentira bater em sua porta, cuidado

Quando alguém chegar em tua porta e disser “a coisa tá ruim, não estamos conseguindo trabalhar porque os vereadores não deixaram, saiba e acredite que é mentira”, alertou Alaor Duarte e finalizou mandando um recado ao Executivo “tenha humildade, seja coerente e assume que errou, que se cercou de algumas pessoas despreparadas, apenas para cumprir promessas de campanha, mude sua estrutura e atitude e faça os próximos três anos serem diferentes”.