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COM MÉDIA SUPERIOR A DOIS MIL E QUINHENTOS ATENDIMENTOS POR MÊS, CONTRATO ENTRE PREFEITURA E HOSPITAL E MATERNIDADE JARAGUÁ, PARA ADMINISTRAR UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO DE CORUPÁ, ESTÁ PRESTES A SER ENCERRADO

COM MÉDIA SUPERIOR A DOIS MIL E QUINHENTOS ATENDIMENTOS POR MÊS, CONTRATO ENTRE PREFEITURA E HOSPITAL E MATERNIDADE JARAGUÁ, PARA ADMINISTRAR UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO DE CORUPÁ, ESTÁ PRESTES A SER ENCERRADO

Unidade foi projetada para atender 800 pacientes/mês, e hoje este número é superior a 2.500

Inaugurado em dois de abril de dois mil e onze, o Pronto Atendimento 24 Horas Maria Ana Linzmeyer, de Corupá, está prestes a ver encerrado o contrato firmado entre a Prefeitura Municipal e o Hospital e Maternidade Jaraguá, para a sua administração.

A obra de novecentos e quarenta metros quadrados teve início em dois mil e nove, e contou com investimentos de R$ 2 milhões, sendo R$ 600 mil repassados pelo governo do Estado, R$ 700 mil pelo governo federal, R$ 150 mil pela iniciativa privada, e o restante custeado pela própria Prefeitura. A unidade de saúde conta, desde sua inauguração, com uma estrutura de sala de raio X, sala de emergência, posto de enfermagem, farmácia, um centro para pequenas cirurgias, sala de observação com catorze leitos separados entre masculino, feminino e criança, todos equipados com gases medicinais, oxigênio e ar comprimido medicinal, além de um heliponto para atender os casos de emergência.

Construído para diminuir as filas nos prontos-socorros da região, principalmente nos dois hospitais de Jaraguá do Sul, a unidade é voltada para urgência e emergência, além de realizar exames de Raio-x, deixando os atendimentos em saúde preventiva sendo realizados nos quatro postos de saúde, com equipes do programa Estratégia Saúde da Família.

Unidade foi considerada referência

Com a estrutura e a qualidade do atendimento, que contava com o suporte e a proximidade do Hospital, logo o P.A. se transformou em referência para Corupá e toda a região, passando a atender pacientes de localidades próximas, pelo convênio SUS, que optavam por serem atendidos em um local moderno e ágil, fugindo de senhas de atendimento. Não demorou muito tempo e o número de atendimentos superou a projeção ao passar a acolher pacientes evadidos dos ESF’s de Corupá e região, aproveitando-se do fato de que nenhuma unidade pode negar atendimento de pronto socorro, respeitando a universalidade preconizada pelo SUS. Outro ponto que forçou este aumento foi o fato de que a Unidade respondia de pronto, tanto em consulta quanto em medicação, recomendando que o paciente procurasse o seu “postinho” e buscasse atendimento preventivo e investigativo para tratamento definitivo de seu problema.

Percentual de pacientes não diagnosticados como urgência e emergência responde por mais de 80% dos atendimentos

A nossa reportagem foi recebida pela Dra. Marcia Adriana Prusse, diretora operacional do HMJ, e pela coordenadora do P.A., Sra.  Taís Gregol, que nos ajudaram a entender o momento vivido pelo P.A., e o caminho percorrido até agora.

Segundo nos informaram, o número de atendimentos efetuados pela equipe do P.A. tem entre 80% e 90% de diagnósticos essencialmente de casos contemplados pela ESF, ou seja, casos que não necessitariam serem atendidos pelo P.A.. Um dos casos citados pela Dra. Marcia é quanto ao atendimento de um paciente com unha encravada às três horas da manhã. Este atendimento foi abatido da cota negociada para Corupá e poderia ter sido prestado pelo “postinho”. O que chama a atenção nos números a que tivemos acesso é que apenas vinte por cento dos dois mil e quinhentos atendimentos efetuados, é de pessoas não residentes em Corupá. Outro ponto que chama a atenção é que neste início de ano, provavelmente causado pelas férias dos servidores dos “postinhos”, a Unidade chegou a atender mais de cinco mil pacientes/mês

Equipe conta com vinte e seis profissionais

Entre médicos, enfermeiras, técnicos em enfermagem, atendentes e demais profissionais, o P.A. possui uma equipe com vinte e seis pessoas que se revezam num plantão de seis horas por doze horas, durante o dia, e doze horas por trinta e seis horas durante a noite, para receber os pacientes que procuram a Unidade. Um outro motivo que responde pelo aumento nos atendimentos da unidade é a falsa impressão de que em caso de encaminhamento para Jaraguá do Sul, o paciente não enfrenta fila, acreditando que indo até lá de ambulância, receberá atendimento preferencial, mesmo não sendo caso de emergência.

O Encerramento do contrato

A Dra. Marcia informou que desde o ano passado é de conhecimento da prefeitura a intenção de não renovar o contrato, que vence no início de maio, e o motivo é simples, os valores praticados. Segundo ela, atualmente o município repassa pouco mais do que R$ 190mil/mês, valor insuficiente para a manutenção da estrutura necessária que garanta o funcionamento da Unidade Corupá. Hoje o Hospital é referência em atendimento materno-infantil, e ainda tem a busca incessante pela referência em cardiologia, que exigem dedicação integral, não sendo recomendável o desvio de seu foco de atenção e investimento.

Diante desta informação a prefeitura analisou diversas possibilidades e optou por abrir processo licitatório para contratação de outra empresa que administre a Unidade. Atualmente este processo está na fase de classificação das proponentes, que deve ser encerrada até o próximo dia vinte, quando começa a correr prazo para as classificadas apresentarem suas propostas de valor, que não podem ultrapassar a R$ 200mil/mês. Pela avaliação do secretário da saúde Dr. Irineu Pasold, este processo deve levar perto de sessenta dias para ser concluído, mas já enviou ao HMJ um termo aditivo prorrogando o prazo do contrato por mais cento e vinte dias. Jamais foi cogitada pelo executivo a possibilidade de fechamento da unidade, ou de assumir a sua administração.

A Unidade recebeu notificação do CRM

Visitada pelo CRM-Conselho Regional de Medicina em novembro de dois mil e dezesseis, a Unidade foi notificada a proceder algumas alterações em sua estrutura. Dentre estas exigências merecem destaque a obrigatoriedade de manter Raio-X e central de exames em funcionamento 24h/dia, sobreaviso de médico clínico geral, plantão de pediatria, dentre outros que, forçariam a majoração do contrato para R$ 320 mil/mês, considerado inviável tanto pelo HMJ quanto pela prefeitura. “O que foi possível corrigir e atender sem promover aumento do valor do contrato, foi feito e, a partir de agora o HMJ fica sujeito a nova vistoria do CRM que pode aplicar multa por item apontado e não cumprido”, explicou a diretora.

Sobre este item o secretário disse tratar-se de um equívoco do CRM que baseou sua inspeção considerando o P.A. como U.P.A. onde as exigências são pertinentes, de qualquer forma Dr. Irineu já enviou justificativa ao CRM e acredita que o processo seja encerrado.

Secretário de saúde avalia o P. A.

O Dr. Irineu, após elogiar a parceria existente entre a prefeitura e o HMJ, confirmou o serviço prestado pela Unidade como sendo referência em nossa região.

O secretário analisou algumas das críticas que profissionais da Unidade têm recebido e justificou que nem sempre é possível agradar a todas as expectativas, principalmente num local onde as pessoas muitas vezes chegam fragilizadas pelo seu problema ou de algum ente próximo; de qualquer forma ele tem acompanhado as reclamações e sempre que as julga procedentes, toma providências.

A Unidade precisa passar por uma reforma

Outro ponto abordado pelo secretário foi sobre o estado em que se encontra o prédio que, segundo parecer da área técnica, precisa passar por ampla reforma, devolvendo à Unidade a sua condição de atendimento sem problemas estruturais. O secretário informou que a manutenção estrutural é responsabilidade da prefeitura, e que não será necessário interditar o prédio para que a reforma seja feita

Hospital e Maternidade Jaraguá, o fim de uma parceria de sucesso

Nestes mais de sete anos de existência, o atendimento oferecido pelo P.A. nunca foi unanimidade, mas, apesar disso, nenhum processo foi aberto contra a instituição e a maioria das pessoas que procuraram a Unidade avaliaram positivamente o serviço recebido. A Dra. Marcia fez questão de enfatizar que a decisão do Hospital acontece independente do valor, num momento em que a instituição deve concentrar esforços. “A atual situação do Hospital, que exige a concentração de esforços, nos coloca numa posição de rompimento do contrato, mesmo que o valor seja coberto pela prefeitura”, concluiu ela.