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Corupá recebeu simulado de emergência fitossanitária sobre mal do panamá na bananicultura

Corupá recebeu simulado de emergência fitossanitária sobre mal do panamá na bananicultura

Foram intensos três dias, 26 a 28 de novembro, na teoria e na prática o 2° Exercício Simulado de Emergência Fitossanitária no estado de Santa Catarina, sediado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina a CIDASC, que tinha como tema o Mal do Panamá raça 4 tropical (Foc R4T) na cultura de banana.

O Brasil ainda está livre da doença, mas já foi detectada recentemente na Colômbia. O fungo, atualmente, é classificado como praga quarentenária ausente no Brasil, ou seja, trata-se de uma espécie que não ocorre no território brasileiro, o que mostra a importância da realização de Exercício Simulado de Emergência Fitossanitária.

O Mal do Panamá raça 4 tropical (Foc R4T), causado pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. Cubense raça 4 tropical é uma doença que ataca bananais. Além da bananeira, o fungo ainda tem como hospedeiros alternativos helicônias e algumas espécies de plantas daninhas.

Alexandre Mees, Gestor do Departamento Estadual de Defesa Sanitária Vegetal (CIDASC), salienta que a detecção da praga no continente sul americano (Colômbia) acende o alerta para a possibilidade de introdução da praga no Brasil. “O exercício simulado é uma forma eficiente de treinar a equipe que atua na defesa sanitária vegetal do estado de Santa Catarina e, também integrar a comunidade, produtores, profissionais e instituições Com o sumulado podemos analisar as melhores medidas caso a doença chegue ao país”, completa Mees.

Simulado

O primeiro dia, terça-feira, foi composto por um Seminário que abordou sobre o Mal do Panamá raça 4 tropical, legislação do MAPA, que aconteceu no Hotel Estância Ribeirão Grande em Jaraguá do Sul. Já a prática aconteceu em 10 propriedades produtoras de banana, em Corupá, onde os participantes puderam na prática executar os procedimentos previstos para a contenção da doença. As ações desenvolvidas serão discutidas para posterior elaboração do relatório do Exercício Simulado.

O evento teve como proposta a prática e discussão dos procedimentos operacionais padrão (POPs), elaborados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Embrapa, a partir da Instrução Normativa 43/2018 do MAPA.

Entre os participantes do exercício simulado estarão profissionais da defesa sanitária vegetal da Cidasc, extensionistas e pesquisadores da Epagri, representantes do MAPA, de Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Vegetal de outros Estados e responsáveis técnicos das associações de bananicultores da região. Ao total participaram 07 estados, 09 instituições e mais de 60 pessoas envolvidas.

A doença

A Raça 4 Tropical (R4T) de Foc, mais agressiva que a raça 1, foi inicialmente identificada na década de 1990, no sul da Ásia e está presente em 13 países. Salientado que no Brasil a doença não está presente. Desde essa época, já destruiu mais de cem mil hectares de bananeiras, principalmente na Indonésia, nas Filipinas e na China. Estima-se que mais de 80% da banana produzida no mundo seja vulnerável ao ataque da R4T. Desta forma, atualmente esta raça se constitui na maior ameaça à bananicultura mundial.

O fungo de solo infecta a bananeira, inviabilizando a sua produção e, em seguida, sua morte. A planta pode demorar anos para apresentar sintomas de que foi infectada. Frutos produzidos de plantas doentes não causam riscos à saúde humana, mas a doença pode ser fatal para a produção comercial. Até hoje, não existe qualquer tipo de controle químico eficiente no combate ao fungo. Algumas variedades comerciais, como a Cavendish, são naturalmente resistentes ao fungo.  A banana-maçã é altamente susceptível ao fungo.

Propagação da doença

A R4T do fungo consegue infectar as cultivares do subgrupo cavendish que até então estavam livres da Fusariose. A principal via de dispersão internacional da FOC, incluindo a R4T, é por meio do transporte de material propagativo infectado (muitas vezes assintomático) destinado a plantio, ou seja, a principal firma de dispersão desse fungo é por meio de mudas originárias de locais com sua presença.

Outra via de dispersão é através de solo originário das áreas infestadas com o patógeno, que é transportado em contêineres, em substratos de mudas de plantas, produtos vegetais, máquinas e implementos agrícolas e animais (incluindo pessoas). O fungo pode permanecer viável por até 30 anos em solo e em restos de plantas contaminadas.

Viajantes promovem a dispersão do fungo de duas formas. Por meio de solo contaminado, aderido a calçados e roupas de pessoas que visitam os países ou regiões onde a FOC R4T já está presente. E por meio de peças de artesanato (ex: sandálias, toalhas de mesa, papel artesanal, embalagens, redes, etc) elaboradas a partir de partes de plantas de bananeira e outros hospedeiros já contaminados.  

Na Colômbia

A doença foi identificada a cerca de um ano pelo Instituto Colombiano Agropecuário (ICA). O fungo do gênero Fusarium foi encontrado em fazendas de banana na costa caribenha da Colômbia. O país decretou estado de emergência nacional, na época.

De princípio foram 174 hectares da fruta foram destruídos como medida de conter o avanço da doença. Em 2018, a Colômbia faturou mais de US$ 100 milhões em embarques de banana para os Estado Unidos, sendo a sexta maior fornecedora da fruta fresca para o mercado norte-americano.