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ALERTA: Estado registrou 64 macacos mortos com a suspeita de febre amarela. Em Corupá 01 caso é investigado

ALERTA: Estado registrou 64 macacos mortos com a suspeita de febre amarela. Em Corupá 01 caso é investigado

Cidades vizinhas já registraram mortes de primatas, como: Jaraguá do Sul com 07 e São Bento do Sul com 16, número que surpreende especialista

Em 20 dias, Santa Catarina registrou 64 mortes em primatas suspeitos de febre amarela. As notificações dos óbitos desses macacos estão concentradas nas regionais de saúde do Planalto Norte (nos municípios de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho), Médio Vale do Itajaí (Pomerode, Blumenau e Timbó) e no Vale do Itapocu (nos municípios de Jaraguá do Sul, Massaranduba e também em Corupá).

Em Corupá foi encontrado 01 macaco morto no dia 26 de dezembro do ano passado na localidade do Isabel, – o caso não consta nos números da Dive/SC – e a amostra do sangue do animal foi enviado para o laboratório. “Estamos aguardando o resultado dos exames que devem de levar cerca de 30 dias”, explica Daiana Mahs de Freitas, enfermeira responsável pela vacinação no município.

Os casos na região acendem o alerta pois em municípios vizinhos como Jaraguá do Sul já registrou 07 animais mortos, Massaranduba com 05 e em São Bento do Sul, foram 16 primatas encontrados mortos, número que surpreende especialista. Os números foram divulgados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica do estado.

No ano passado, foram notificados 20 óbitos ao longo do mês de janeiro, porém nenhum deles foi confirmado para a doença. As mortes deste ano ainda estão em análise no Instituto Carlos Chagas Fiocruz do Paraná, laboratório de referência para SC.

Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), divulgou nesta segunda-feira, 20, uma nota de alerta. No documento, a diretoria pede que os profissionais de saúde fiquem atentos aos casos suspeitos da doença, orienta sobre a importância da vacinação e a notificação da morte ou adoecimento dos primatas.

“Em 2019, o estado registrou a expansão da febre amarela em seu território, com a confirmação de dois óbitos humanos e seis primatas acometidos pela doença. É fundamental a manutenção das ações de controle da doença, especialmente a vacinação das pessoas, já que estamos no período sazonal” alerta João Fuck, gerente de zoonoses da DIVE/SC.

O que pode estar matando os primatas?

Segundo o jornal A Gazeta de São Bento do Sul, o número de primatas mortos na região do Planalto Norte já ultrapassa os 20: Campo Alegre (04), Rio Negrinho (02) e São Bento do Sul com 16.

Na reportagem do diário, a médica veterinária e professora da Unisociesc, Ana Carolina Fredianelli lembra que há várias outras situações relacionadas à espécie. Por exemplo: as tentativas de infanticídio. Na prática, significa que os machos adultos que buscam as fêmeas para acasalamento tentam afastar os filhotes delas. Dependendo da idade e da fragilidade do filhote, ele pode morrer em decorrência do ato do macho. “Isso é comum entre os bugios”, explica ela.

Da mesma forma, conforme a profissional, há machos adultos que expulsam machos mais jovens dos grupos. Às vezes há brigas entre eles, também, e alguns exemplares podem sair gravemente feridos. Mais uma questão importante, relata Ana Carolina, está relacionada a outro detalhe do acasalamento. “Nesse caso, há vários animais migrando de uma mata para outra”, expõe ela, comentando que, assim, eles estão mais suscetíveis a atropelamentos. “Enfim, na primavera e no verão é comum receber mais bugios machucados ou doentes”, diz. “São épocas em que naturalmente a fauna silvestre corre mais riscos”.

De qualquer forma, segundo a veterinária, o que chama a atenção é a quantidade de animais que estão morrendo. “É um número maior, em um tempo menor, na comparação com anos anteriores. Estamos vivendo uma situação atípica”, explica. Ela ressalta que é de fundamental importância a população se vacinar contra a febre amarela, já que a morte de tais primatas pode ser um indicativo da presença do vírus da doença na região. “Tem gente que não quer se vacinar, mais é extremamente importante”, alerta.

Vacinação

A febre amarela é uma doença grave, transmitida por mosquitos em áreas silvestres e próximas de matas. A única forma de se proteger é através da vacinação. Maria Teresa Agostini, diretora da DIVE/SC, explica que todas as pessoas com mais de nove meses devem receber a dose da vacina. “No estado, até o momento, a cobertura vacinal está em 84%. Mas ainda é uma cobertura muito heterogênea nos municípios. Muitos ainda não atingiram bom índice. O ideal é o estado imunizar, ao menos, 95% da população dentro do público-alvo”, afirma.

No município a vacina está disponível no Posto de Saúde do centro. “Não paramos de vacinar e temos a vacina em estoque. Caso alguém não tenha recebido a vacina é só vir até a unidade. Vale também para as pessoas que não lembram de ter tomado a vacina, podem procurar a unidade que verificamos. Vamos aplicar o reforço da vacina contra a febre amarela em crianças até 04, pois é uma medida exigida pelo Ministério da Saúde”, explica Daiana Mahs de Freitas, enfermeira responsável pela viciação no município.

A unidade no centro está atendendo em horário reduzido até dia 31 de janeiro que é das 7h às 12h45. Em fevereiro retorna em horário normal.

Febre amarela em SC

No dia 28 de março de 2019, Santa Catarina confirmou o primeiro caso de febre amarela autóctone (contraída dentro do estado) em humano. O paciente era um homem, de 36 anos, que não havia se vacinado e morreu. Ele morava na localidade de Pirabeiraba, em Joinville. O segundo óbito em humano por febre amarela em SC foi registrado no final de junho do ano passado. O paciente era um homem, de 40 anos, residente em Itaiópolis, no Planalto Norte. Ele também não tinha registro de vacina no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI).

Com relação aos primatas, foram notificadas, no ano passado, 353 mortes de macacos em 77 municípios. Dessas, seis tiveram a causa da morte confirmada por febre amarela (Garuva, Joinville, Indaial e Jaraguá do Sul). “É importante que quem encontre um macaco morto ou doente notifique a secretaria municipal de saúde. São os macacos os primeiros a adoecerem por febre amarela e por isso sinalizam a presença do vírus na região e norteiam o trabalho das equipes de vigilância”, explica Renata Gatti, bióloga da DIVE/SC.