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“LA PÈLERINE”: A NAU FRANCESA E O BRASIL!

Araras – O principal destaque ilustrativo do Brasil, no mapa de Cantino.

Detalhe do mapa português “Atlas Lopo Homem-Reineis” de 1519, mostrando
o pau-brasil e os papagaios na costa brasileira.

Os portugueses somente começaram a dar mais atenção ao Brasil após uma poderosa frota portuguesa, composta de dez caravelas e vários outros navios, tendo saído de Lisboa em 15 de junho de 1532 com destino a Roma, ter casualmente encontrado a nau francesa La Pèlerine (A Peregrina), no porto espanhol de Málaga, no Mediterrâneo.

Desconfiados de que este navio, pertencente ao nobre francês Bertrand d`Ornesan, barão de Saint Blanchard, estivesse trazendo madeira brasileira clandestinamente, os portugueses, comandados pelo capitão Antonio Correia, criaram um espetacular estratagema oferecendo 1.800 kg de biscoitos e uma escolta até Marselha, o que foi prontamente aceito pelos franceses.

Já em alto mar, em 15 de agosto, o capitão Correia chamou a bordo da nau-capitânia os pilotos e mestres de todos os navios, inclusive o comandante Jean Duperet e os demais tripulantes da nau francesa, com o pretexto de escolher a melhor rota a seguir. Neste momento, os portugueses aprenderam a nau Peregrina, equipada com 18 canhões e composta por 120 marinheiros e soldados franceses.

Surpresos, os portugueses verificaram, então, que a Peregrina estava carregada com mais de 15.000 toras de pau-brasil, 3.000 peles de onça, 600 papagaios e quase duas toneladas de algodão. As riquezas do Brasil estavam sendo extraídas sorrateiramente pelos franceses sob as barbas dos portugueses. A partir deste incidente e do grande susto da coroa portuguesa, as relações entre Portugal e França estremeceram.

A nau Peregrina vinha de Igaraçu, feitoria portuguesa em Pernambuco, recentemente invadida pelos franceses, que ali haviam deixado em torno de 70 homens armados, para proteger este porto e para garantir futuros embarques de pau-brasil.

D. João III resolveu então dividir o Brasil em 15 capitanias hereditárias, visando a proteção e a colonização da costa brasileira.

Fonte:  Livro “1516: 500 anos da chegada dos espanhóis a Santa Catarina – Expedições espanholas pelo litoral catarinense entre 1500 e 1600”

Por: ROBERTO LOURENÇO

O engenheiro, escritor e historiador Roberto Lourenço, que mora em Jaraguá do Sul há mais de 30 anos, autor do livro “1516: 500 anos da chegada dos espanhóis a Santa Catarina”, estará estreiando uma nova coluna aqui no Jornal de Corupá.

Seu recente livro “1516”,  contemplado com o Prêmio Catarinense de Literatura, será uma das fontes utilizadas para a publicação  da coluna semanal intitulada “O Pulsar da História”

Muitos fatos acontecidos em nossa região e em nosso estado, ainda  pouco divulgados, serão lembrados e revividos nesta coluna.  As remotas visitas de aventureiros europeus à estas paragens, a passagem do português Aleixo Garcia e do governador espanhol Cabeça de Vaca, pela cidade de Corupá, quando se dirigiam a pé ou a cavalo ao Paraguai, pelo caminho do Peabiru, ainda nas primeiras décadas de 1500, são exemplos de assuntos que serão explanados nesta coluna.