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  • A CARAVELA REDONDA:  A Fórmula 1 dos mares em 1500
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A CARAVELA REDONDA: A Fórmula 1 dos mares em 1500

Em 1438, quando o infante D. Henrique, assumiu a responsabilidade pela expansão marítima portuguesa, logo emergiu a necessidade de modificar, adaptar e aperfeiçoar os navios e as técnicas de navegação da época.

Os povos nórdicos, destacados por seus vikings do século XIV, possuíam barcos robustos, com cascos fortes, bordos altos e velas quadradas, preparados para transporte de carga e para resistir às grandes ondas do mar.

Os povos do Mediterrâneo haviam desenvolvido as galés, estreitas e compridas, impulsionadas por velas triangulares e remos, caracterizadas pela velocidade e agilidade em águas calmas.

Porém, a partir de 1400, com a necessidade de navegar em alto mar e cada vez mais longe, tanto os navios utilizados no Mar do Norte pelos escandinavos como as galés utilizadas no Mediterrâneo, acabaram se mostrando embarcações inadequadas.

Os estaleiros europeus começaram então a unir o que havia de melhor em navegação nas tradições europeia e árabe. Fundiram o conhecimento escandinavo, com o conhecimento dos povos do Mediterrâneo. Iniciou-se, então, a construção de navios com três e quatro mastros, mesclando duas tecnologias de propulsão a vento no mesmo navio, utilizando dois tipos de vela. Tomaram as velas quadradas, utilizadas no Mar do Norte, mesclando-as com as velas triangulares ou latinas, utilizadas no Mediterrâneo. Os bordos baixos e o perfil esguio das galés utilizadas em águas calmas foram substituídos pelos bordos altos e cascos arredondados dos barcos utilizados em mar grosso. O novo barco também possuía um calado menor que os seus antecedentes, permitindo maior aproximação à costa e melhor acesso a rios e pequenos portos.

Com esta nova tecnologia, surgia aproximadamente em 1530, a Caravela Redonda, que viria a ser utilizada mais intensamente pelos navegantes de Portugal e da Espanha. A mescla destas duas tradições marítimas, caracterizada principalmente pelo uso destes dois tipos de velame num mesmo navio, foi uma das grandes revoluções na história da construção naval. Os diferentes mastros e velas permitiam ajustar o barco para as diversas situações de mar e de vento, deixando o navio mais estabilizado e mais fácil de manobrar, navegando inclusive contra o vento.

A caravela redonda tinha características únicas e inovadores, como sua robustez ao enfrentar o mar aberto, sua boa velocidade obtida por seu pequeno tamanho e formato esguio, seu bom espaço para carga de suprimentos em viagens longas e sua capacidade de viajar contra o vento. Além disto, exigia poucos tripulantes e, devido ao seu baixo calado, permitia o seu uso na exploração dos rios.

Estes predicados fizeram da caravela redonda o veículo de transporte ideal para as necessidades de exploração intercontinental europeia da época.

Fonte:  Livro “1516: 500 anos da chegada dos espanhóis a Santa Catarina – Expedições espanholas pelo litoral catarinense entre 1500 e 1600”

Por: ROBERTO LOURENÇO

O engenheiro, escritor e historiador Roberto Lourenço, que mora em Jaraguá do Sul há mais de 30 anos, autor do livro “1516: 500 anos da chegada dos espanhóis a Santa Catarina”, estará estreiando uma nova coluna aqui no Jornal de Corupá.

Seu recente livro “1516”,  contemplado com o Prêmio Catarinense de Literatura, será uma das fontes utilizadas para a publicação  da coluna semanal intitulada “O Pulsar da História”

Muitos fatos acontecidos em nossa região e em nosso estado, ainda  pouco divulgados, serão lembrados e revividos nesta coluna.  As remotas visitas de aventureiros europeus à estas paragens, a passagem do português Aleixo Garcia e do governador espanhol Cabeça de Vaca, pela cidade de Corupá, quando se dirigiam a pé ou a cavalo ao Paraguai, pelo caminho do Peabiru, ainda nas primeiras décadas de 1500, são exemplos de assuntos que serão explanados nesta coluna.