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Corupá recebe exposição fotográfica sobre o fotógrafo do Contestado

Corupá recebe exposição fotográfica sobre o fotógrafo do Contestado

Uma passagem importante da história do Brasil, a Guerra do Contestado, registrada e retratada em fotos no começo do século 20, pode ser conferida desta terça-feira (21) até o dia 30 de agosto em Corupá. A exposição “Claro Gustavo Jansson: o fotógrafo do Contestado” com 150 fotografias é fruto do trabalho de pesquisa da professora e historiadora Rosa Maria Tesser e pode ser visitada gratuitamente no auditório da Escola de Educação Básica Teresa Ramos, no Centro de Corupá. Junto com a exposição, a pesquisadora apresenta o livro “Claro Gustavo Jansson, o fotógrafo do Contestado. Memorial de 100 do conflito” e que também estará disponível para quem quiser adquirir.

A exposição, que foi aberta na tarde desta terça-feira, contou com a presença da e historiadora Rosa Maria Tesser, do prefeito João Carlos Gottardi, da secretária de Educação e Cultura Rosane Martini, da assessora de cultura Roseli Siewert, do diretor da escola Teresa Ramos Lírio Lanznaster , do gerente de projetos da Fundação Catarinense de Cultura Ivan Carlos Schmitd Filho, do professor da agência de Projetos da FCC Ricardo Braz e alunos da escola Teresa Ramos. A mostra conta com apoio do governo estadual, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e da Lei Rouanet e já circulou 14 cidades do Estado em 2017 e neste ano chega a mais seis.

Imigrante sueco, Claro Gustavo Jansson retratou momentos históricos da Guerra do Contestado, conflito ocorrido entre 1912 e 1916 entre Santa Catarina e Paraná. Segundo a pesquisadora Rosa Tesser, o fotógrafo sueco foi contratado para registrar a rotina da empresa norte-americana Lumber, instalada no município de Três Barras, Norte do estado.

Rosa explica que Claro Gustavo acabou registrando imagens da Guerra do Contestado, sendo o único que, na época, acompanhou os dois lados do conflito. “Vivia no acampamento das tropas e nos redutos dos caboclos. Se não fosse ele, nossa memória visual desse conflito seria muito pequena”, comenta a pesquisadora.

As fotos foram selecionadas a partir de um acervo de 2,5 mil imagens cedidas pela filha do fotógrafo, Doroty Jansson, com exclusividade, para a pesquisadora Rosa.

A exposição conta com 11 temas: O Contestado: o fotógrafo no front; A Grande Empresa Lumber no Brasil; Lumber em Sengés estado do Paraná; Construção da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande do Sul; História da Construção da Estrada de Ferro Paranaguá – Curitiba; História da Linha de São Francisco do Sul; A Revolução de 1924; A Revolução de 1930; A Revolução de 1932; União da Vitória x Porto União; e Erva-mate: uma árvore de tradição.

Livro

Em 2016, Rosa Maria lançou o livro de 170 páginas intitulado “Claro Gustavo Jansson, o fotógrafo do Contestado. Memorial de 100 do conflito”, que recebeu recursos do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo, Cultural e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).  Junto com o lançamento do livro, a escritora e a FCC deram início a exposição itinerante com cerca de 150 fotos de Claro Gustavo Jansson sobre o conflito e o cotidiano da região catarinense.

Sobre a autora

Rosa Maria Tesser é professora aposentada, formada em Pedagogia com a habilitação em administração escolar, pós-graduada em Recursos Humanos pelo Instituto Nacional de Pós-Graduação em São Paulo e com especialização em pré-escola pela UNICEF e Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina. Formada em Guia de Turismo Nacional é credenciada no Ministério do Turismo. Foi professora na Fundação Catarinense de Amparo ao Menor (Fucabem), gerente técnica na Fundação Catarinense de Cultura, no período de 1999 a 2003 e integrante do Conselho Estadual de Cultura de 2005 a 2006 (CEC).

Atualmente, é membro imortal da Academia de Letras do Brasil – seccional Balneário Piçarras, e integrante da Câmara Setorial de Literatura do município. Trabalha e pesquisa o tema Contestado há mais de 20 anos, tendo outros três livros publicados: “O espírito Catarinense do Homem do Contestado (2001)”; “O Contestado: a História que o Brasil não conhece (2005)”; “A Guerra do Contestado: Um século de vidas e histórias (2012)”.

Serviço:

O quê: Exposição fotográfica “Claro Gustavo Jansson: o fotógrafo do Contestado”

Quando:  de 21 a 30 de agosto – segunda a sexta-feira das 8h às 11h30 e das 13h às 17h e à noite de 18h30 às 21h30

Onde: Auditório da Escola Teresa Ramos, Rua Vidal Ramos, nº 75, Centro de Corupá

A Guerra do Contestado

A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu entre Santa Catarina e Paraná, entre outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cerca de 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual. Ganhou o nome de Guerra do Contestado, pois os conflitos ocorrem numa área de disputa territorial entre os estados do Paraná e Santa Catarina.

A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída pela empresa norte-americana Brazil Railway Company, com apoio dos coronéis da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de camponeses perderam suas terras. Este fato, gerou muito desemprego entre os camponeses da região, que ficaram sem terras para trabalhar.

Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o estabelecimento da Southern Brazil Lumber & Colonization Company grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso, muitas famílias foram expulsas de suas terras.

O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte da empresa norte-americana ou do governo.

Fonte: PM Corupá – Áurea J. Arendartchuk